sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Da Madrugada

- Sabe o que eu vou fazer? É... quanto será um rim no mercado negro?
- ...
- E um pulmão?!
- E a...?
- Ah, essa deve ser barata! Tem gente dando por menos de R$100,00 por aí.
- E tu, tu cobra quanto?
- É grátis! Cobro nada, não.
- Menina, tá pior que remédio!
- Remédio???!
- É. Amostra-grátis!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Se Me Hizo Facil

Olhe, sinceramente, eu não sei. Eu não sabia, na verdade. Até acho que desaprendi a escrever. Não, não. Não me perguntem mais nada. Não me escreva mais cartas, eu não vou responder - eu não sei. Desconfio que esses calos nos meus dedos são saudades. Essa falta de jeito é o que mais me assusta. Até ontem eu sabia. E como posso não saber mais? Ontem à noite eu chorei. Eu chorava com pena da dor dos outros. Eu podia sentir as dores, sim. Olhando bem, metade nem choraria. Metade nem entenderia o que estou escrevendo. E nesta metade me incluo. São só palavras sem sentido. Mas como? Como?, se estou seguindo uma lógica e dando sentido às palavras. Eu não sei escrever. Não sei, não sei, mesmo. Não ter nexo, o que eu digo, faz de mim um atestado puro de loucura. E não quero encontrar um psiquiatra ao dobrar a esquina. Mais louco é quem me diz...

sábado, 26 de dezembro de 2009

Entre Parênteses

(Meu Deus! Pensei que esse ano nunca fosse acabar. Cada semestre me pareceu um ano. Longo e longo, sem fim. Não vou dizer que 2009 foi um ano, de todo, mau. Deve ter tido suas coisas boas, para os outros - talvez pra mim, também. O engraçado é que cada novo ano, para mim, se torna uma incógnita. Ah como era doce ter a certeza, meio que uma programação, de tudo o que aconteceria no ano que se aproximava! Doce nostalgia.
Mas, sabe, apesar de ser o desconhecido um dos meus medos, às vezes é gostoso senti-lo dar olá. E dou olá, com medo de me despedir.)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O Que Verdadeiramente Dói

Certamente eu estava cansada. A universidade conseguia consumir as últimas gotas de paciência que me restavam. E ainda sou, ou estou, paciente. Paciente de um médico. Este, ah!, este não me deixa dormir sem algumas pastilhinhas. E eu que pensava ser coisa de gente doida tomar essas coisas. Nem me dou ao trabalho de decorar os nomes dessas pastilhas. São tantas! O engraçado é que todas as caixas vêm com uma tarjinha preta, diferente das caixas que vejo nas vitrines das farmácias. Ruim é ter sempre que mostrar ao farmacêutico um papel com a assinatura do meu médico. Digo assinatura porque os rabiscos acima dela são incompreensíveis, não deve ser nada.

Sim, eu acordava. Acordava umas 7 vezes durante o sono. Muito ruim, muito ruim. E eu não tinha sonhos. Pelo menos eu não me lembrava de nenhum. Era uma escuridão sem fim, nos meus olhos. E todos os dias eu via o sol nascer. Ele nasce, ele morre. Todos os dias. Incansavelmente. O mesmo acontece com a gente: a gente nasce, a gente morre. Acho que ao dormir somos estagiários para a morte. Deve ser por isso que não consigo dormir, ultimamente.

Essa semana entrei de férias. Vou passar alguns meses sem ser consumida pelo meu cansaço mental. Lembro que meu médico pediu que eu o visitasse assim que as férias chegassem. Só não lembro se era no consultório ou na casa dele. Também, não importa... não sei onde ele mora, mesmo. Cansei, sabe? Cansei de ser perguntada com as mesmas perguntas de sempre. “Quantas horas está dormindo?”, “Está se alimentando direito?”, “E bebendo água, está?”. Eu detesto dar satisfação a desconhecidos. E a médico, então, nem se fala! Só faço isso por causa da minha mãe, que anda chorando pelos cantos com medo que eu tenha um pirepaque. Ah, eu não entendo. Sou uma pessoa tão saudável! Só cansada.

É que abrir os olhos dói, respirar dói, sorrir dói, mexer os dedos dói. Dói tudo! Isso cansa, pede muito de mim. Disseram, outro dia, aqui no quarto do hospital, que, por sinal, tem uma maca extremamente desconfortável, que eu tinha muita força. Respondi que não. Porque se eu tivesse, eu não acharia que viver dói, e muito.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Agora, pergunto:

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Tentando Ser Sincera

Mas queria te dizer que eu não sou de pedra. Eu não sou uma rocha. Eu não sou um diamante em questão de dureza. Eu tenho sentimentos. Eu às vezes sinto.

sábado, 14 de novembro de 2009

Um Verso Só

Danem-se todos, todos e todos!

domingo, 8 de novembro de 2009

Desistindo da Humanidade

Desisti do mundo. Por ter preguiça de pensar em algo impossível, desisti do mundo. Este não tem mais jeito. Sou pessimista: só nascendo de novo para este mundo melhorar. E não pretendo ir para um lugar em que eu aprenda a linguagem dos pinguins para fugir do mundo. Gostaria de ir para a Lua e assistir ao show pirotécnico que um dia a própria humanidade me proporcionará. Obrigada.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Os Outros

Descobri. Descobri que meus problemas são os outros. Os outros são bastante complexos para mim. A culpa é sempre deles. Se tudo ficasse por minha conta, seria muito mais fácil. Eu resolveria muita coisa, mas não os meus problemas - que são os outros. Mas e se eu me isolasse do mundo, eu me isentaria do infortúnio que é conviver? Quem foi que disse que o homem é um ser social? Quanta asneira! Se os outros são os meus problemas, quais os problemas dos outros? Eu que não sou. Vai ver que outros outros também são os problemas desses outros. Não. Isso se tornaria um ciclo vicioso, e de vícios eu estou fora; no vício eu não caio mais. É que meu vício é os outros. Porque sem eles, minha vida não seria. E não me contradigo. É que sou perfeita. Uma perfeita idiota.

domingo, 25 de outubro de 2009

O Dia de Amanhã

"Ninguém sabe o dia de amanhã", minha avó vive dizendo. Mas, vovó, sério: eu sei o dia de amanhã! Amanhã é segunda-feira e, certamente, estarei mais lascada do que hoje.